Acordo Ortográfico na Madeira

Hoje, dezenas ou talvez  mais de uma centena de professores, foram “convidados” para uma conferência sobre o AO proferida pela Dr. Marguarita Correia do ILTEC. Esperava algo mais denso e profundo. Afinal, parece que todos os que resolvem falar para professores têm a necessidade de fazer uns resuminhos pedagógicos…

Pus duas questões, mas a Dr. Margarita Correia só respondeu a uma delas. A primeira versou sobre uma realidade que muitos professores portugueses vão encontrar e que duvido que aconteça com professores brasileiros ou de outros países da CPLP: turmas com alunos oriundos de outros países lusófonos ou com a marca da oralidade destes países, ainda que nascidos em Portugal. A pergunta era: se o AO admite duplas grafias, se admite situações facultativas, sendo ao mesmo tempo instrumento de unificação, onde reside a fronteira do erro? No falante? Na região (dentro de um mesmo país)? No país? Qual o critério do erro? É um critério geo-político?

Esta questão é muito sensível para nós, professores de português de um Portugal multi-étnico. A Dr. Margarita Correia disse que não tinha legitimidade para responder. Quem terá? A Dr. Margarita Correia disse que o ME com certeza que regulará esta questão. Então, pergunto eu e perguntamos todos nós que tentamos pensar um pouco pelas nossas cabeças, então é o poder político que definirá o erro? A que ponto chegamos? Não são os linguistas, os gramáticos, os filólogos… eu sei lá!… que deveriam fazer tal coisa?! Será o poder político por intermédio de alguns dos seus cientistas que definirá o que é norma a aplicar no país? Mas o AO não é já uma norma para ser seguida em todos os países lusófonos? Não, parece que vai continuar a haver duas normas (ou mais) e é legítimo perguntar: então para que serve tal acordo?

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About Luís Timóteo Ferreira

Professor do Ensino Básico, grupo 200, nascido no Brasil, filho de emigrante de Pombeiro da Beira, cidadão da Língua Portuguesa, pai da flor mais bela que alguma vez plantei, companheiro da flor mais linda que alguma vez colhi, beirão Licenciado em História por Coimbra, agnóstico e anti-clerical, Portista e Flamenguista, pela selecção das quinas e pela selecção canarinha, leitor compulsivo, bibliófilo, frequentador de bibliotecas, livrarias, alfarrabistas, blogues... Ver todos os artigos de Luís Timóteo Ferreira

One response to “Acordo Ortográfico na Madeira

  • Fradique

    Muito bem visto, sim senhor! E começo a notar uma tendência sinistra nestas coisas: cada vez mais são enviados interlocutores para esclarecer certas classes mas que nada esclarecem! Sejam professores, doutores, engenheiros, cientistas, etc… a resposta fica sempre adiada (um sinal mais de um país constantemente adiado) 😦

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