Sejam bem-vindos… de novo!

É com renovado prazer que vou recomeçar a desenvolver este blogue, já não de apoio à formação sobre os novos programas de português, mas pelo puro prazer da fruição simples de ensinar e aprender, de estudar e debater, de partilhar e receber. Não é um prazer condenado, masoquista, sisífico; ou um prazer torturante, sádico, procústico. Este é o prazer comprometido com o aqui e agora de tentar fazer alguma coisa diferente, boa, útil. O momento, no país da educação, no país da economia, no país da política, no país dos valores, pode ser mais um momento da perpetuação dos males, do indiferentismo e da preguiça; ou pode ser um momento em que muito se fará, com erro ou com acerto, com menos erros e com mais acertos, esperamos todos.

Novos Programas de Português. Entre Sísifo e Procusto. Quantas vezes parecemos Sísifo, recomeçando, condenados, todos os anos, todos os períodos, todas as semanas; a pedra dos currículos e dos programas, das reformas e dos decretos, dos ofícios e das nomenclaturas, sempre eternamente imensa, uma quimera que nos submete, à indiferença e à resignação alguns, à revolta e resistência outros. Quantas vezes parecemos Procusto, uniformizando e formatando corpos e espíritos, ora cortando pés e cabeças, ora esticando nervos e ossos, tentando acomodar num só leito de pseudociência prescrita a diversidade dos alunos. Se o Sísifo de Camus ainda conseguiu alguma libertação dentro da própria pena, não há notícia de qualquer romancista, filósofo ou cientista da educação que tenha reabilitado Procusto: foi Teseu quem acabou com o infame torcionário aplicando-lhe a mesma receita com que brindava os seus hóspedes.

O filósofo José Gil, na sua última aula na Universidade Nova de Lisboa (aqui e aqui), dizia que o que mais o entusiasmava quando leccionava era a possibilidade de pensar em conjunto com os alunos. Espero que este blogue tenha esta possibilidade e ainda outra: como a profissão de professor é caracterizada por uma acção dentro da sala de aula, espero que sirva também para afinar e transformar a prática de todos os dias.

Anúncios

About Luís Timóteo Ferreira

Professor do Ensino Básico, grupo 200, nascido no Brasil, filho de emigrante de Pombeiro da Beira, cidadão da Língua Portuguesa, pai da flor mais bela que alguma vez plantei, companheiro da flor mais linda que alguma vez colhi, beirão Licenciado em História por Coimbra, agnóstico e anti-clerical, Portista e Flamenguista, pela selecção das quinas e pela selecção canarinha, leitor compulsivo, bibliófilo, frequentador de bibliotecas, livrarias, alfarrabistas, blogues... Ver todos os artigos de Luís Timóteo Ferreira

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: